segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Expectativa


Tentei estudar, tentei ler, tentei comer, tentei jogar vídeo-game, andar de patins, mas, nada impedia que eu parasse de esperar. Nenhuma dessas atividades conseguiam tirar a espera da minha cabeça, e eu tanto esperava era por algum motivo que o fizesse querer falar comigo, uma ligação, uma mensagem, um recado sequer, eu não me importaria nem se fosse em sinais de fumaça no céu, desde que ele falasse comigo.
Posso até mesmo dispensar palavras como "te amo", "tenho saudades", "sonhei com você", não preciso de nada disso para que eu já me sinta bem. Eu só preciso dele, de falar com ele, não importo de falar sobre o clima, sobre as previsões para 2012, a vida do Obama ou qualquer outra coisa, eu só preciso falar com ele, ouvir sua voz mesmo que dizendo as coisas mais enfadonhas. Mesmo que não dizendo nada, mas, me ouvindo.
Fiquei observando o teto sob minha cabeça, tentando escolher um padrão significativo para os risquinhos nele. E foi então que o celular em baixo da minha coxa vibrou. Dei um pulo com o coração já acelerado, respirando pela boca.
O peguei na mão, o visor me dizia "numero desconhecido", eu segurei entre os dedos e tentei me acalmar. E se fosse ele?
- Alô - eu falei baixinho tentando ver se minha voz, sairia quando eu atendesse. E então atendi.
- Oi - falei de verdade dessa vez.
- Mariana?
Eu reconheci a voz da minha professora de matemática, e me lembrei da promessa dela hoje de manhã: " vou ligar pra sua mãe hoje, preciso falar do seu péssimo rendimento escolar".
Eu ainda continuei a esperar, mesmo após o decreto final de três meses de castigo, determinado por minha mãe.

Um comentário:

●๋• Liindiiinhààh ™ disse...

Eu apenas,
amo ler tudo o que você escreve. É tão coerente com o que sinto e com o que vivo *--------*